Meio enterrado

Estava voltando da casa dos meus pais quando a música começou.

Coloquei no loop. É uma mania minha — quando algo me toca de verdade, repito até extrair tudo que tem dentro. Música, pensamento, conversa. Fico em órbita ao redor do sentimento tentando entender o que ele é, e quase sempre chego perto, nunca completamente, e ele escapa no momento exato em que ia tocar com a ponta dos dedos. Como um sonho que se dissolve quando você tenta segurar.

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Voltei

Foi o que pensei às 4h32 da manhã quando abri os olhos e o quarto começou a se organizar ao redor de mim. Um minuto de hesitação antes de olhar o relógio — não por cautela, mas porque uma parte de mim já sabia o que ia encontrar do lado de fora do sono.

O sonho é uma pausa. Um lugar sem conta, sem coração arritmado, sem RAG quebrando às onze da noite. Quando durmo, saio. Quando acordo, volto.

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